12/11/2009

Actualização - Os meses de Outubro e Novembro de 2009 nos dois grandes de Portugal

Sobre a demissão de Paulo Bento:
Terá sido vítima de uma massa associativa excessivamente critica e para com ele incompreensiva. Consigo colocar-me na sua pele e imaginar que sentem que Paulo Bento não é um treinador de futebol capaz, devido à sua pouca experiencia e poucos cuidados com a imagem que transparece, mas discordo deles.É um profissional mais do que competente que tratou de o demonstrar todos os dias durante quatro anos de comando da equipa profissional, a que se pode e deve adicionar mais um de técnico dos juniores (a quem levou ao titulo depois de 10 anos de jejum), e a que se juntam todos os anos de brioso profissionalismo e qualidade inegavel enquanto jogador de futebol.
Deixo uma nota para o facto de me ter dado tristeza ver o Paulo Bento sair. Mas tenho a certeza de que, competente, sério, honesto e trabalhador como é, terá uma carreira de êxito, e não demorará muito a "calar" todos aqueles que exigiram a sua demissão como se estivessem a falar de um autêntico animal.
Repito uma vez mais: com Paulo Bento, o Sporting ergueu 4 taças, qualificou-se consecutivamente para a Liga dos Campeões, superiorizou-se continuadamente ao seu vizinho gastador e esteve em praticamente todas as finais das competições internas a eliminar que disputou. Isto falando em números e conquistas concretas, apenas.
E aliás, veja-se o apoio incondicional e total que o plantel demonstrou a Paulo Bento. Os adeptos foram levados pelo facilitismo. O rosto visível do futebol leonino foi Paulo Bento, um personagem interessante e diferente, e que por ser assim, diferente, foi sujeito a maior incompreensão no nosso futebol. Depois aparecia Pedro Barbosa, que, como não é homem que goste de chamar a si protagonismos saloios como o é o seu homólogo da Luz, não escapou à contestação irracional dos adeptos e sócios.


Debruçemo-nos sobre os nomes que foram falados para o cargo de treinador leonino:

André Villas-Boas: Apesar da evidente inexperiência como técnico principal, penso que o risco não é assim tão grande como isso. Senão vejamos: foi discípulo durante todos estes anos de Mourinho; com ele trabalhou, com ele aprendeu, com ele montou as melhores equipas da Europa e/ou conjuntos campeões. Sendo um produto mourinhesco, podemos adivinhar a sua competência, rigor e conhecimento táctico, a que se juntarão outros atributos como a vontade
de mostrar serviço de forma tão imediata e segura como Mourinho fez no início desta década. Os efeitos positivos do seu curto trabalho - curto, aqui, em termos de tempo - na Académica já se fazem notar. E depois, será óptimo para o Sporting, pois trata-se de uma novidade apetecível para os sócios. Os sócios e adeptos não querem Cajudas, Machados, Manueis Josés ou Vingadas, querem um rosto novo, jovem, fresco, e dar-lhes isso é meio caminho andado para que se moderem na contestação àquele que comanda a equipa. Não vou tão longe como afirmar que Villas-Boas é sucesso garantido e/ou imediato, mas estou convicto de que o será de facto.

Podia tecer alguns comentários sobre outros que chegaram a ser aventados, mas têm todos em comum o facto de, apesar de competentes (uns mais do que outros), serem de tal forma indesejados pelos adeptos, devido a "não serem treinadores para um grande", como eles dizem, ou serem "velhos", que se corre seriamente o risco de existir nova onda de contestação fulminante e insustentável a abatar-se sobre o rosto principal da equipa técnica no banco verde e branco.
Nesse lote incluem-se: Manuel Cajuda, Carlos Carvalhal, Nelo Vingada, Manuel José.
Há ainda outros nomes apontados, como Domingos, Jorge Costa ou Manuel Machado. E há um outro que me agradaria ver treinar de novo em Portugal: Co Adriaanse, que chegou também a ser falado.
Depois há o inevitável Scolari a ser falado por adeptos. Há gente que ainda acredita que estamos no Football Manager e que com tempo ou com uns truques se pode contratar os elementos mais bem pagos do mercado do futebol a nível mundial. Por outro lado, há também aqueles que acreditam que Scolari é uma espécie de salvador infalível. Tem currículo, sem dúvida, mas tem muitas outras falhas. Seguramente não seria, por estas duas razões, uma opção viável e aconselhável para o Sporting.

Já a entrada de Sá Pinto para director do futebol... Bom, aplaudo-a. Nada tenho a apontar. O tempo se encarregará de dizer se é tão competente nestas novas funções como o era no campo, qual Coração de Leão.


Sobre o Porto:
Tenho visto, lido e ouvido muita gente a comparar a situação portista desta época à do ano passado, mas a verdade é que no ano passado o Porto começou no fundo e foi subindo, qual máquina estável, rigorosa e ciente das suas capacidades, agindo
como se fosse um epílogo inevitável - embora talvez moroso - o conseguir atingir níveis condizentes com os de um Porto campeão; ora nesta época, não foi bem assim: o Porto começou bem, tranquilizou os adeptos numa primeira fase com vitórias seguras e
um futebol suficiente (que, para quem conhece como estas coisas se costumam passar, significaria que daqui a uns meses deveríamos ter um Porto bastante forte, pois a evolução costuma ser gradual e estável). Produziu estas coisas inicialmente, mas tem vindo a decair,
sem que haja grande explicação. Ou melhor, haver há, mas pouca gente esperaria que houvesse uma quebra a esta altura, uma que acaba por atirar o Porto para o saco das equipas que não jogam nada e que praticam um futebol completamente ensosso e desprovido de alma

Não quero isto para o meu FCPorto. Basta! Não quero um plantel composto por 70% de estrangeiros, muitos deles pagos a peso de ouro e de qualidade duvidosa, completamente descaracterizado e comandado por um treinador manifestamente limitado e pálido. O pouco que Jesualdo tinha para oferecer esgotou-se. Provou definitivamente não ter uma grande reserva de recursos para apresentar junto de nós, exigentes azuis. Basta! Como é que se pode gabar um processo em que se transforma um jogador (Bolatti) que no clube nada rendeu, recorrendo a um argumento imbecil de que o Porto o fez crescer e agora está a render? Mas está a render onde? No Porto? O Porto congratula-se de fazer crescer jogadores nos treinos para depois renderem noutros clubes, ainda por cima a receber ainda o salário do nosso clube? O que se passa aqui?
E porque é que eu tenho de levar com Marianos, Guarins e Tomás Costas? Que raio de contratações são estas? Estes jogadores não valem nada, e nada valendo mais valia (passe a repetição) que se fosse buscar portugueses, baratos, jovens, que também não valem nada.
O problema, a questão que mais irrita nisto tudo, é a quantidade de excelentes valores jovens e portugueses que o Porto já provou ter: Castro, médio da Olhanense, Ukra, também da Olhanense, extremo dotado de uma técnica soberba, Diogo Viana, recrutado nas escolas do Sporting e um jogador repleto de potencial por todos os lados, à espera que nele apostem para que possa explodir, e ainda Sérgio Oliveira, que tão boa conta deu de si no jogo com o Sertanense (será um enorme jogador, se nele apostarem). Porque preferem encher a equipa de argentinos, uruguaios e colombianos de qualidade duvidosa, pagando autênticos balúrdios, sem que nada rendam e perpetuando-se na folha salarial do clube durante sucessivos empréstimos a outros clubes?
Que porcaria é esta? Porque é que o Jesualdo fala em aposta nos jovens, em "crescimento" (palavra de que tanto gosta), se nada disso é verdade? Apostar num jovem é colocá-lo a jogar um jogo na Taça ou Taça da Liga, pô-lo a treinar com a equipa principal e jamais voltar a apostar nele dentro de campo? Os jogadores crescem é no campo e com dificuldades acrescidas, "atirados aos leões". Foi assim que nasceu para os altos voos do futebol a maior parte dos grandes valores que se formaram no Porto ou no Sporting. Porque é que falam em aposta se não há aposta nenhuma? Estou profundamente irritado, agora sim, porque é demasiado tempo a "conviver" com jogadores sem qualidade para o Porto. Irrita-nos, a nós, portistas, ver desperdiçado tanto talento e ver a simultaneamente a contínua aposta em Marianos e Guaríns que de Porto, daquele Porto de classe e ao mesmo tempo de trabalho, nada têm.
E esta descaracterização é um processo que teve início com Jesualdo. Andou de mãos dadas com ele desde que ele pôs os seus pés nas instalações do FCPorto. O que acontece é que agora, volvidos quatro anos, os seus efeitos, por serem maiores, são mais reais, mais profundos, mais visíveis. A influência no actual plantel do FCPorto da política, ou falta dela, de Jesualdo é maior do que aquela que ele exercia nos plantéis anteriores, logicamente.
É completamente incompreensível como se renova com um treinador que pouco acrescentou de positivo à equipa de futebol desde que lá está, que já é há muito. Um homem velho, carrancudo, limitado, avesso à mudança e à inovação. O Porto deu-lhe a hipótese de ser, próximo do ocaso de uma carreira muito longe de ser brilhante e longe de ser sequer boa, campeão. Está dada a hipótese. Agora devia ter terminado o ciclo Jesualdo. O argumento absurdo da estabilidade e do facto de já ter ganho campeonatos não convence ninguém. Pinto da Costa está a perder qualidades. Por razões diferentes, aplica-se a Jesualdo o que se aplicou a Paulo Bento: perdeu a última hipótese de sair bem do clube há uns meses.
Esta não é a primeira vez que o Porto renova sucessivamente o contrato a treinadores manifestamente inferiores a outros que lá permaneceram apenas um ano ou dois. Isto irrita-me profundamente. E Villas-Boas, se se confirmar ser um produto mourinhesco de grande qualidade, já vai para Alvalade. Mas há Domingos, há Jorge Costa. Como se consegue ter uma confiança tal em alguém visivelmente limitado (havendo outros valores evidentemente jovens e cheios de margem de progressão e ideias frescas), suficiente para se lhe renovar o contrato por mais 2 anos que se juntam a 3 já passados? Meia década de Jesualdo? É demais.
Já chega de desbaratar. Há erros que estão cometidos e já não se pode voltar atrás. Perdemos mais de uma dezena de óptimos valores devido à "gestão" ruinosa do plantel nos últimos anos; evitemos perdê-los no futuro próximo, a começar imediatamente.
Se Prediger é bom e custou tanto dinheiro, por que raio de razão não jogou um minuto ainda? Estão a brincar connosco? Vão fazer como ao Bolatti? Ou ao Ibson? Ou ao Kazmierczak, Stepanov, Ibson, Bruno Gama, Paulo Machado, Bruno Moraes, Leandro, Vieirinha, etc? Para quê? Para meter lá cada vez mais Guaríns, Marianos e Tomáses?

Jesualdo fez coisas positivas no Porto. Não coloco isso em causa, numa análise justa. Mas a grande perda, a quebra da chama, a alegria inexistente no jogo, a descaracterização completa da equipa, isso não lhe perdoo. Não será unicamente culpa dele, mas uma grande parte das acções que levaram a estes efeitos partiu certamente dele, como responsável máximo do futebol profissional do clube como ele é. Vejo-me num dilema difícil:
Impõe-se a saída de Jesualdo pelo menos no fim da época, mas para isso acontecer o Porto não poderá ser campeão, a época não poderá ser considerada um sucesso, bem longe disso; ou seja, para que ele saia, teremos de fazer uma época péssima. Se formos campeões, ou se de outro modo a época for considerada um êxito, ele manter-se-á.

Gostava de em breve fazer um desenho de uma série de mudanças que julgo serem importantes e decisivas para o futuro próximo do futebol do Porto, e gostava também de me debruçar sobre a campanha benfiquista desta época, que não me surpreende em nenhum ponto. Fica para breve. Escreverei também sobre Bettencourt e Jesus.

Sem comentários:

Enviar um comentário