17/11/2009

Algumas reflexões sobre o Sporting e não só

De Roquette a Bettencourt:
... o que não posso - enquanto sportinguista - é acreditar na teia que envolve todas essas verdadeiras parcelas: a noção de que de alguma forma, os que vão dirigindo o Clube nos últimos 15 anos têm um qualquer plano maquiavélico que visa extingui-lo ou reduzi-lo à dimensão de um Clube não-grande.
Prefiro antes acreditar na evidência, e este "prefiro" nada tem de fé mas tudo tem de real crença que, estes vários dirigentes têm algum tipo de "consciência a mais" que outros não têm, e que, servindo-se dela tentam ao mesmo tempo 2 coisas: não desviar o Clube da sua génese ganhadora (génese, remete aos primórdios) mas, fazê-lo por uma via mais próxima do ideal e da perfeição.
E isto hoje em dia é tremendamente difícil. E mais difícil é quando há duas milhões de almas - naturalmente - sedentas de vitórias. Isto remete para aquilo que o GonçaloCF mencionou dos princípios leais: na forma de fazer as coisas e na forma de condução do Clube.
É muito complicado e não é uma equação nada fácil, sendo no entanto uma equação que importa resolver e que entronca no tal problema de Cultura que no Sporting ainda está por resolver.
O prazer e orgulho que sentimos ao exultar aquilo que nos faz diferentes, se calhar, se calhar ... é aquilo que nos impede de ganhar. Quantos Clubes, ou melhor, quantos emblemas de futebol conheces - nos últimos 20 ou 15 anos - que sejam frequentemente vitoriosos e não-gastadores?
Não há muitos. Em Inglaterra quem vence: o professor formador e tão correcto Wenger e o seu tão elogiado Arsenal ou, os outros? Em Espanha, na Alemanha, em França, em Itália, quem vai vencendo? Os que gastam mais. Os que compram os melhores jogadores. Saindo das várias esferas internas, na Europa, quem vence e quem perde? É o Ajax, o agora limitado Bayern, a Juventus, ou são os eternos investidores de sempre dos últimos anos: ingleses e 2 Clubes espanhóis? O problema se calhar não é tanto do jogador Sporting mas sim, do jogo em si, que está nos dias de hoje uma coisa tão feia e tão podre e tão desleal e adulterada que, é muito difícil nele ganhar-se pela via menos fácil de todas. Porque claro está, a via mais fácil de todas nem a todos está acessível.
O Sporting quer ser um Clube correcto (e isto nada tem de ingénuo ou fraqueza ou passividade) ou quer ser um Clube ganhador? Mesmo a nível interno, só.
Acho que o Sporting quer ser as 2 coisas e, talvez se perca entre as 2 e acabe não sendo nem uma nem outra. Acredito que se o Futebol fosse uma modalidade decente e leal, coisa que não é nem dá mostras de tão cedo voltar a ser, seríamos todos mais felizes.
Agora é claro, isto não desculpa as más opções, as más escolhas, os erros evitáveis.

O Sporting tem de resolver o seu problema interno. Problema que não se prende com Treinadores, nunca se prendeu. O problema e a equação maior que temos de solucionar, todos, é responder a uma pergunta muito simples: O que é que o Sporting quer ser no Futebol? Com estas regras, do modo que o Futebol hoje funciona, o que é que queremos nele ser? Bons, ou vencedores? Temos de responder a isto caros sportinguistas ... porque o Sporting quando dominava e tinha hegemonia, dominou e teve essa hegemonia num tempo em que as coisas aconteciam como resultado do trabalho e da qualidade.
Como se algum tipo de recompensa divina houvesse para quem tenta e faz as coisas como deve ser. E isso hoje é muito difícil. E por isso tão frequentemente os mais inteligentes e os mais sensíveis e os que reúnem as reais qualidades, passam por dificuldades. Já os chico-espertos, os mafiosos, os gananciosos, vivem vidas confortáveis. E no Futebol pode-se talvez fazer o mesmo exercício, não o sei com certeza.
Ocorre-me só.

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